quarta-feira, 21 de setembro de 2011

VENDE-SE TUDO !!!

Recebi por email esta linda mensagem que nos leva a considerar a materialidade das coisas. Realmente, Vende-se Tudo é um artigo que merece ser lido e que fará muito bem a todos.

Vende-se Tudo (Por Martha Medeiros)

No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos. O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:

- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.

- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.

Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante. Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas.

Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu. No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.

Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material.

Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo.

Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar. Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida.

Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile.

Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.

Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde.

Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza: "só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir,"é melhor refletir e começar a trabalhar o DESAPEGO JÁ!

Não são as coisas que possuímos ou compramos que representam riqueza ou plenitude.

São as dádivas especiais que não tem preço, as pessoas que estão próximas da gente e que nos amam, a saúde, os amigos que escolhemos, a nossa fé e Paz de espírito.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

EUA e a crise

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Delfim Netto
EUA e a crise 
Por Delfim Netto
Acabam de ser publicadas as estimativas corrigidas do crescimento real do PIB dos EUA (medido a preços constantes de 2005) e que dão uma visão mais realista do que aconteceu à economia americana nos últimos quatro anos (2º trim. 2011/2º trim. 2008).
Ela apenas retornou ao nível em que se encontrava no 2º trimestre de 2007! Há quatro anos o PIB está estagnado. Como a população cresceu, isso significa que o PIB per capita diminuiu. Considerando que em condições normais de pressão e temperatura o PIB real americano cresce à taxa de 2% ao ano, a flutuação dos últimos quatro anos representa qualquer coisa entre 10% e 15% de um PIB anual (mais ou menos um PIB anual do Brasil) que potencialmente deixou de ser produzido pela disfuncionalidade do sistema financeiro.
As consequências sobre o endividamento interno foram importantes. De um lado, pela redução da receita e, de outro, pelo aumento das despesas com o desemprego. Paralelamente, aumentou a desigualdade na distribuição de renda, o que acentuou o mal-estar da sociedade com relação ao presidente Obama.
É cada vez mais evidente que as políticas monetária e fiscal foram incapazes de cooptar a confiança do setor privado, de forma que seus efeitos sobre a recuperação do consumo e ampliação dos investimentos têm sido pífios.
Basta dizer que as empresas não financeiras têm em caixa qualquer coisa como US$ 1,5 trilhão a US$ 2 trilhões aplicados em papéis do Tesouro americano. Por que não investem? Porque continuam a desconfiar do presidente Obama e não têm certeza de que encontrarão demanda no futuro.
Enquanto isso, o crescimento do consumo é inibido por um desemprego total ou parcial de mais de 25 milhões de pessoas, que continuam assustadas com o comportamento do mercado de trabalho, especialmente na construção civil.
Deveria ser claro que o problema só poderá ser resolvido com um aumento da demanda privada que até agora não tem respondido aos imensos estímulos monetários e fiscais.
A resposta não é "mais do mesmo", mas entender por que não funcionou. Em nossa opinião, porque: 1º) o comportamento de Obama foi hostil com o setor real da economia no início de sua administração; 2º) ele foi submisso e leniente em relação ao setor financeiro, que precisava mesmo ser preservado, mas não os seus agentes mais conspícuos e 3º) gastou o enorme patrimônio político do "we can" com programas necessários, mas discutíveis, em lugar de utilizá-lo cooptando e dando confiança ao setor privado para reduzir o desemprego. O problema dos EUA não é econômico: é a falta de confiança da sociedade na ação do Executivo e do Legislativo.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Países e Estados presentes no Encontro de Escritores « Encontro de Escritores

Países e Estados presentes no Encontro de Escritores « Encontro de Escritores

Alfredo Wagner, a Capital Catarinense das Nascentes, receberá escritores de várias partes do Mundo.

Já estão inscritos escritores de 8 Estados brasileiros e 7 Nações. Do Brasil virão escritores de Minas Gerais, Ceará, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e da nossa Santa e Bela Catarina. Do Exterior, até o momento, estão inscritos escritores da Alemanha, Argentina, Austrália, Estados Unidos, India e Moçambique.

Estão incluidas na programação palestras de escritores e trovadores, de alunos da UNIPLAC entre outros. Os temas das palestras serão variados e superinteressantes, e certamente, prenderão a atenção de todos os participantes. Serão lançados 6 livros de diferentes autores. Teremos apresentações artísticas, música, dança, declamação, etc.

Os acadêmicos da Academia de Letras do Brasil/SC Municipal Alfredo Wagner e os membros do Lions Club de Alfredo Wagner estão divulgando e se preparando para receber os escritores e tornar inesquecível estes dois dias de Encontro.

Faça sua Inscrição e participe você também! http://encontrodeescritores.com.br/?page_id=34

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Brasil desistiu de ser país desenvolvido

Um alerta sobre o futuro tecnocientífico do Brasil.
Brasil desistiu de ser país desenvolvido
Agostinho Rosa - 21/07/2011
O seu cargo é o de coordenador de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento. A função, como seria de se esperar, está dentro do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Que visões de futuro passarão na mente do condutor das políticas e programas de pesquisas científicas do ministério que cuida da ciência e da tecnologia de um dos países mais promissores do mundo?

Deve ser inebriante conversar com uma pessoa que pensa em todas as tendências tecnológicas mundiais, e nos rumos mais promissores e mais socialmente urgentes das pesquisas científicas, sem contar aquelas áreas em que se deve deixar a ciência ser ciência, sem utilitarismos, indo atrás daquilo que desafia a curiosidade humana em seu sentido mais nobre.

Bem, deveria. Infelizmente, aqui no Brasil, a visão de futuro daqueles de quem mais se espera, assemelham-se mais a faróis que tenham sido instalados na traseira de um carro.

O discurso desanimador pode ser resumido em uma única frase: "O futuro do País é explorar o potencial da nossa biodiversidade."

O personagem que pensa o futuro da nossa ciência, da nossa tecnologia e, por decorrência, do nosso desenvolvimento e bem-estar enquanto sociedade, acredita que devemos nos limitar a sermos agricultores, no máximo coletores de frutos e raízes de uma floresta que calhou de estar por aqui.

Por paradoxal que possa parecer, não incluo em minha crítica o personagem que falou a fala tão desastrada. Carlos Nobre merece o sobrenome enquanto cientista e homem público que se tornou, de resto talvez o mais bem talhado candidato atualmente disponível para ocupar o Ministério do Meio Ambiente.

Colocá-lo tão fora de sua especialidade mostra a incapacidade - ou, eventualmente, a má-fé - daqueles que dirigem o país e que deveriam procurar fazer com que cada área rendesse os melhores frutos, de forma que, após o entendimento entre os diversos grupos, no processo natural que marca a discussão política, o país tivesse os maiores benefícios.

Mas o que esperar de um governo que nada faz para combater uma situação cambial que está destruindo a indústria brasileira, pelo simples temor de alguém dizer que o Brasil não é assim tão bonzinho ou de levar nota baixa de agências de risco que já mostraram mais de uma vez a complicada rede de interesses de que fazem parteF?

Este governo provavelmente nada teria a dizer sobre desenvolvimento de software e de hardware, satélites artificiais, robótica, nanotecnologia, novos materiais, computação quântica, fotônica, spintrônica. É melhor se calar sobre aquilo que se pretende destruir. Ou sobre o que nada se sabe.

Quer o governo que nossa missão seja nos mantermos como um país agrário. Com todo o respeito ao setor agroindustrial e a todos os necessários cuidados com o meio ambiente que esse setor nunca teve. Trata-se sim, de incentivar a agricultura e, com os devidos cuidados, fomentar uma indústria de biocombustíveis, mas que seja um setor especializado na área de energia, e não de um subproduto do açúcar.

Nada a dizer contra esta ou aquela área porque, ao contrário do que o governo parece pensar, incentivar uma área não exige que se destrua outras.

O que se trata é de criar no Brasil um setor industrial, já que aquele que chegamos a ter até o fim do século passado, esse já está desenganado por uma política cambial maléfica e pela falta de instituições que incentivem a inovação tecnológica - cuja responsabilidade é das empresas, o que só aumenta os elogios às poucas inovações que vemos surgir nas universidades brasileiras.

Mas quais empresas? Empresas brasileiras que fabricam o que? Automóveis, computadores, chips, fibras sintéticas, satélites artificiais, equipamentos de telecomunicações, robôs?

Ou, já que queremos nos especializar em biodiversidade, seria o caso das empresas nacionais de fármacos, de novas moléculas, de materiais biomiméticos?

Difícil inventar o que ainda não existe em setores que também não existem.

E para as empresas nacionais que ainda restam, cuja participação no PIB cai ano a ano, será que não sabemos criar mecanismos para incentivar essas empresas a se tornarem inovadoras? É claro que sabemos. A Embrapa é um exemplo mundial de estrutura aberta e flexível, que tem produzido as maiores inovações da área. A Fiocruz não fica atrás, na área de saúde, apesar dos recursos aviltantes.

E por que não reproduzimos a experiência em outras áreas? Porque não queremos. Porque o Brasil como uma potência agrária, fornecedor de alimentos e insumos agrícolas e minerais é tudo o que o núcleo central da economia mundial necessita. Já temos Coreia, Índia, China e outros países que emergiram, não precisamos de mais, começa a ficar problemático demais dividir o mercado quando os jogadores são muitos.

Fomos tolerados enquanto tínhamos um presidente pitoresco, que ficava bem na fotografia com aqueles que querem fazer o discurso politicamente correto de posar ao lado de um operário que "deu certo".

Agora não temos nem isso, então só resta a verdade desnuda. O mundo precisa de um celeiro, e o Brasil aceitou passivamente a condição, sem ter forças de argumentar que temos condições de ser mais do que uma coisa única, que podemos plantar, criar e coletar sem precisarmos nos condenar a uma economia pobre e ultrapassada.

Não é o nosso futuro que está na exploração da biodiversidade, é o nosso passado.

Ciclo do pau-brasil, ciclo da borracha, ciclo da cana-de-açúcar, ciclo do cacau, ciclo do café, agora novo ciclo da cana-de-açúcar, que produz algum etanol quando os preços valem a pena - todos são ciclos de exploração da nossa biodiversidade.

Só escapa o ciclo do ouro porque ele não leva o "bio" no nome, mas é extrativista, já devidamente substituído pelo atual ciclo do minério de ferro, do alumínio, do nióbio e das rochas ornamentais (sim, o "mármore de carrara" do século XXI é brasileiro).

Devemos acabar com essas explorações tão biodiversas e tão mínero-diversas? Certamente que não, mas não se trata disso, trata-se daquilo que nos negamos o direito de construir: uma economia moderna, fundada em uma educação digna do nome, em mecanismos institucionais e legais que criem um ambiente de inovação e de desenvolvimento.

Por que não fazemos isso? Se eu ainda tivesse a ingenuidade de esperar alguma sinceridade na resposta, diria que essa pergunta poderia ser dirigida àqueles que nos guiam para o passado.